Câncer de intestino avançado : nova droga

Câncer de intestino avançado : nova droga

Recentemente disponível no Brasil mais uma droga contra o câncer de intestino avançado: aflibercept. A medicação pertence à classe dos inibidores de angiogênese. De acordo com os dados do estudo VELOUR, os pacientes em tratamento de segunda linha de câncer de intestino metastático que receberam quimioterapia em combinação com aflibercept viveram um pouco mais do que aqueles com quimioterapia isolada, porém as custas de maior toxicidade.

Explicando o mecanismo de ação da droga, os inibidores de angiogênese são capazes de inibir a formação de vasos que nutrem o tumor. A angiogênese é um processo complexo causado pelo câncer. Como o tumor tem crescimento acelerado é necessário suprimento com sangue e nutrientes.O câncer gera estímulos para a produção de novos vasos sanguíneos a partir dos vasos já preexistentes: a angiogênese. Isso garante a nutrição do tumor.

O Aflibercept é uma proteína de fusão que se liga a todas as formas do fator de crescimento endotelial vascular A (VEGF-A), assim como ao VEGF-B, fator de crescimento placentário (PIGF) que são fatores de crescimento angiogênico que parecem desempenhar um papel na angiogênese tumoral e na inflamação. Os efeitos adversos da droga estão relacionados ao seu mecanismo de ação. Como atuam nos vasos sanguíneos, os pacientes podem apresentar hipertensão e perda de proteína na urina, que são os eventos mais comuns.

O estudo VELOUR recrutou cerca de 1200 pacientes com câncer de intestino metastático que já haviam recebido quimioterapia e que progrediram, ou seja, que iam iniciar a segunda linha de tratamento. Incluiu pacientes que haviam recebido tratamento prévio com bevacizumab, que também é um inibidor de angiogênese. Os pacientes foram divididos para receber quimioterapia com FOLFIRI (fluoracil, leucovorin e irinotecano) associado ou não ao aflibercept. Em termos de sobrevida, o ganho foi de quase 2 meses com significância estatística. Os pacientes também demoraram mais para apresentarem progressão de doença, cerca de 2,5 meses. A taxa de resposta também foi maior 19,8 % x 11,1%.

Infelizmente esse ganho de sobrevida foi às custas de maior toxicidade. Além dos efeitos dos antiangiogênicos como hipertensão e perda urinária de proteína, os pacientes também apresentaram mais diarréia, mucosite, infecções e fadiga. Nesse caso o tratamento deverá ser individualizado para cada paciente e pesar-se o risco/benefício.

Apesar do ganho ter sido modesto, o sequenciamento de várias linhas de tratamento no câncer de cólon metastático vem permitindo que a cada dia os pacientes possam viver mais.

Autora

Dra. Milena Macedo Couto. CRM 57978

Médica residente do serviço de oncologia do Hospital Felicio Rocho

http://ascopubs.org/doi/10.1200/JCO.2012.42.8201#

 

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