Car-t cells: nova forma de tratar câncer

Car-t cells: nova forma de tratar câncer

Car-t cells foi recentemente aprovado nos Estados Unidos para tratamentos de alguns cânceres do sangue, relacionados aos linfócitos B. Baseia-se em uma nova modalidade de tratamento, de alta tecnologia, com relatos de cura em alguns casos, que vem sendo testada em vários outros tipos de tumores.

Chimeric antigen receptor (CAR – receptores de antígenos quiméricos) é um tratamento em que as células imunológicas do paciente são coletadas, levadas a um laboratório, modificadas geneticamente para que se tornem capazes de atacar o tumor e são reinfundidas no paciente, sendo capaz de gerar resposta e evitar progressão do tumor. Ou seja, o tratamento é individualizado, cada pessoa terá um tratamento programado para si.

A leucemia linfocítica aguda (LLA) é o câncer mais comum da criança, se origina dos linfócitos B, que compõem nossa defesa. Cerca de 98% dos acometidos atingem resposta patológica completa com o tratamento. Aqueles que não atingem, apresentam prognóstico desfavorável e pior resposta a outras linhas de tratamento. Os paciente que foram tratados com Car-t cells, apresentaram taxas de remissão da doença entre 70% a 90%, comparados com 25% no tratamento convencional. Baseado nisso, foi aprovado pela agência reguladora americana para pacientes com mais de 25 anos de idade, portadores de LLA refratária.

Estudos já mostraram que a droga apresenta atividade no linfoma não-hodgkin refratários e pesquisas também tem sido feitas para mieloma múltiplo. A respeito dos tumores sólidos (mama, próstata, pulmão, intestino, melanoma, etc), ainda há dificuldade em identificar marcadores que sejam apenas do tumor e que não estejam superfície de tecidos sadios. Pesquisas iniciais vem sendo executadas em sarcomas de células sinoviais, melanoma, câncer de pâncreas, glioblastoma.

Os efeitos adversos de Car-t cells são graves podendo ser fatais. Por ser um tratamento baseado na ativação do sistema imune, a medicação pode levar a liberação de mediadores inflamatórios na circulação sanguínea em grande quantidade (Síndrome Liberação de Citocinas), levando a uma reação inflamatória em vários órgãos e sistemas. Pode levar a edema cerebral e depleção dos linfócitos B (aplasia células B). Todas essas toxicidades são tratáveis e já existem recomendações e guias para o tratamento dessas complicações.

Ainda não há previsão para que essa nova modalidade chegue ao Brasil. Nos Estados Unidos, o preço divulgado do tratamento foi $475.000.

Referência

http://emedicine.medscape.com/article/2500108-overview

 

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