Como bloquear os hormônios masculinos no câncer de próstata: injeção ou cirurgia?

Como bloquear os hormônios masculinos no câncer de próstata: injeção ou cirurgia?

No tratamento do câncer de próstata avançado um dos grandes pilares é o bloqueio da testosterona, o hormônio sexual masculino, já que ele pode estimular o crescimento do tumor. Existem duas maneiras de fazer este bloqueio: pela cirurgia (chamada de orquiectomia); ou pelo uso de drogas, o bloqueio químico.

Como no final o que teremos em ambos os casos é a redução da testosterona, os efeitos colaterais de cada um passa a ser mais relevante na escolha do tratamento. Um estudo publicado recentemente fez esta avaliação. Então qual seria a melhor opção?

Apesar de terem eficácia semelhante e resultado final igual, o bloqueio da testosterona, cada modalidade age de uma maneira diferente:

Orquiectomia: é um procedimento cirúrgico realizado nos testículos que reduz a produção de testosterona.

Bloqueio químico: existem algumas drogas disponíveis para o bloqueio de testosterona, falaremos sobre os GnRHa, ou seja, os agonistas dos hormônios liberadores de gonadotrofina. Esta droga é uma injeção que é bloquea a produção do hormônio que iria estimular a produção de testosterona nos testículos.

Em outras palavras: se o corpo fosse uma fábrica de produção de testosterona a cirurgia desligaria as máquinas e a medicação cancelaria a ordem de produção.

O estudo publicado esse mês na Jama Oncology avaliou dados de mais de 3 mil homens portadores de câncer de prostata, com mais de 66 anos, tratados com orquiectomia ou GnRHa entre janeiro de 1995 a dezembro de 2009. Os pesquisadores procuraram pela ocorrência de efeitos colaterais como trombose venosa, doença das artérias nas extremidades do corpo, fraturas, complicações cardíacas, diabetes e alterações mentais.

O grupo de pacientes que foi submetido à orquiectomia teve 23% menos fraturas, 35% menos doenças nas artérias e 26% menos complicações cardíacas. Para diabetes e alterações mentais não houve diferença entre os dois grupos.

O tempo de uso da medicação também parece influenciar: pacientes que usaram até 12 meses de GnRHa não tiveram diferença de efeitos colaterais em relação aos pacientes operados, porém os pacientes que usaram mais de 35 meses tiveram diferença ainda maior nos efeitos colaterais com aumento aumento importante no número de fraturas, alterações cardíacas, doença arterial, trombose venosa e diabetes.

O estudo possui limitações pois é um estudo retrospectivo e sujeito a diversas falhas. A melhor forma de se reduzir a testosterona no tratamento do câncer de próstata deve ser definida pelo médico assistente do paciente, devendo se levar em consideração a individualidade de cada caso.

 

Bibliografia:

http://oncology.jamanetwork.com/article.aspx?articleid=2476248

 

Autores:

Dra Maria Helena Cruz Rangel Da Silva
CRM mg 49563 RQE 28713
Médica residente do serviço de oncologia Clínica Hospital Felicio Rocho

Dr. Volney Soares Lima
CRM MG 33029 / RQE 15235
Médico Oncologista Clínico do Hospital Felicio Rocho, da clinica Oncocentro BH e do IPSEMG
Membro Titular Sociedade Brasileira Oncologia Clinica

 

 

 

Comments (4)

  1. Bom dia. tenho uma pessoa querida com câncer nos ossos, porem já em estado avançado. Ele fará o tratamento hormonal, já li em diversos lugares que o paciente tem uma sobrevida um pouco maior. Mas em que situação? o Dr disse q a partir da terceira injeção ele terá uma vida normal. (Sinceramente, eu saí quieta pq não acreditei pelo estado avançado. )

  2. izaias da silva florencio - Responder

    Bom Dia, estou com câncer de próstata, já comecei o tratamento, porem estou usando soldo, quanto tempo mais vou ter que fica com essa solda já faz dois mês e dias, fiz a primeira injeção com 30 dia volo para ser medicado, sinto um dsiconforto no meu anus isso sera reação do tratamento.

  3. Pingback: câncer de próstataFalando Sobre Cancer

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