Elevação de PSA após cirurgia, radioterapia funciona?

Elevação de PSA após cirurgia, radioterapia funciona?

Cerca de 1/3 dos paciente com câncer de próstata que foram submetidos a prostatectomia (retirada cirúrgica da próstata), terão recorrência da doença, sendo geralmente primeiramente evidenciada pela elevação do PSA, a chamada recidiva bioquímica.O  PSA é uma proteína produzida pela próstata, colhida no sangue , solicitada para diagnostico e acompanhamento do câncer de próstata. Esses pacientes são rotineiramente encaminhados a radioterapia (radioterapia de resgate) para tratamento da loja prostática, com possibilidade de cura. Porém, se iniciado com níveis de PSA mais baixos, quais seriam os reais benefícios?

Nesse mês, um longo estudo de observação, publicado pela JCO (Journal of Clinical Oncology), revista de grande importância para a oncologia, trouxe dados interessantes sobre melhora de ausência de metástases( doença espalhada para outros órgãos) e aumento no tempo de vida. Foram então selecionados 1106 pacientes que haviam sido submetidos a radioterapia após elevação de PSA e foram seguidos por uma média de 9 anos.

O estudo mostrou que em pacientes que tumores maiores, mais agressivos e com níveis de PSA mais altos apresentaram risco aumentado da recidiva bioquímica. Um total de 208 pacientes desenvolveram metástases a distância no período observado, relacionados a tumores maiores e mais agressivos.

A velocidade com que PSA se eleva, também esteve relacionado as metástases. 280 pacientes faleceram durante o estudo, sendo que 110 foram relacionados ao câncer de próstata. Em relação aos efeitos adversos da radioterapia, os principais nesse caso, são urinários e gastrintestinais. Mas hoje, felizmente, há aparelhos mais modernos que levam a menor intensidade desses efeitos.

O uso da radioterapia, ainda com níveis de PSA mais baixos, mostrou redução na incidência de futuras recidivas, concluído pelo seguimento dos pacientes. O benefício da radioterapia de resgate, em relação à novas recidivas, desenvolvimento de metástases, e mortalidade, será maior quanto menos agressiva for a doença e quanto mais precoce for iniciada. Assim, quando diagnosticada a recidiva, deve-se iniciar a radioterapia o quanto antes.

A indicação de radioterapia nesse cenário era baseada em apenas na diminuição de novas recidivas. Esse estudo veio corroborar com esta hipótese e mostrou que o nível de PSA antes de se iniciar a radioterapia de resgate é um fator prognóstico e está relacionado não só a recidivas futuras, mas também a metástases à distância e mortalidade pela doença.

Referência

http://ascopubs.org/doi/full/10.1200/JCO.2016.68.3425

Autora

Dra. Milena Macedo Couto. CRM 57978

Médica residente do serviço de oncologia do Hospital Felicio Rocho

 

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