Hormonioterapia no câncer de mama avançado: comprimido ou injetável?

Hormonioterapia no câncer de mama avançado: comprimido ou injetável?

Os inibidores de aromatase (anastrozol, letrozol) são administrados via oral e atualmente são o padrão no tratamento no câncer de mama localmente avançado ou metastático que expressem hormônio em suas células. Mas será que a hormonioterapia injetável, o fulvestranto, seria mais eficaz nessa situação?

O estudo FALCON veio para tentar responder essa resposta. As pacientes desse estudo, já estavam na pós menopausa e não poderiam ainda ter recebido nenhum tratamento com hormonioterapia prévia. Foram então separadas em dois grupos, um para receber fulvestranto e outro para receber o anastrozol. Ambas as medicações atuam bloqueando a produção hormonal que estimulam o crescimento dos tumores de mama, o primeiro bloqueia a ação do estrogênio e o segundo, bloqueia a ação da aromatase, uma enzima que leva a produção de estrogênio.

O estudo encontrou dados significantemente estatísticos: pacientes que receberam o fulvestranto ficaram mais tempo livre de doença em relação ao anastrozol: 16,6 meses contra 13,8 meses, respectivamente. Os principais efeitos colaterais foram dores articulares e os fogachos (ondas de calor) nos dois grupos. Apenas cerca de 5% dos pacientes descontinuaram pelos efeitos colaterais. Pacientes com metástases ósseas, que não apresentavam metástases viscerais (como no fígado, pulmão, por exemplo) foram as que mais se beneficiaram do fulvestranto.

E o que esse estudo mostrou? Teremos uma nova estratégia de tratamento no câncer de mama localmente avançado e metastático receptor hormonal positivo, podendo trazer o fulvestranto para primeira de linha, ao invés de usa-lo somente quando ocorre resistência aos outros hormônios. A maioria das pacientes vai desenvolver resistência a hormonioterapia em algum momento, podendo então ser trocado para o anastrozol posteriormente. Agora, para sabermos a melhor estratégia a ser empregada, cada paciente deve ser  individualizada com base na tolerância e toxicidade de cada medicação e também através de identificação de biologia molecular.

 

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed?Db=pubmed&Cmd=Retrieve&list_uids=27908454&dopt=abstractplus

Autora

Dra. Milena Macedo Couto. CRM 57978

Médica residente do serviço de oncologia do Hospital Felicio Rocho

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