Imunoterapia no câncer de intestino

Imunoterapia no câncer de intestino

As drogas imunoterápicas vêm sendo aprovadas em vários tipos de câncer: pulmão, melanoma, renal, bexiga, entre outros. A imunoterapia também se mostrou eficaz em cerca de 5% dos pacientes portadores de câncer de intestino metastático que apresentam deficiência do gene de reparo (dMMR) / alta instabilidade microssatélite (MSI-H).

E o que é isso? O DNA celular é uma molécula instável e sofre frequentes alterações através de perda de segmentos, mutações ocorridas durante o processo de divisão celular. Para corrigir tais alterações dispomos de algumas proteínas com função de realizar os reparos necessários para manter a integridade do DNA. Estas proteínas são produzidas a partir de alguns genes conhecidos como genes de reparo (mismatch repair genes – MMR) e sua função é preservar os tecidos celulares. Quando ocorrem muitas alterações nas sequências de microssatélites, a função de reparo do DNA estará danificada, permitindo o desenvolvimento do tumor.

Como já dito em posts anteriores, a imunoterapia apresenta mecanismo de ação diferente da quimioterapia tradicional. Ela atua através da ativação do próprio sistema imunológico contra o tumor. Em pacientes com altas mutações do gene de reparo, a droga apresenta mais “alvos” para atuação. Além disso, esses pacientes respondem menos a quimioterapia do que os que não apresentam a mutação.

O FDA, o órgão regulatório americano, já aprovou o uso de Pembrolizumab e Nivolumab no câncer colorretal metastático com dMMR e MSI-H. As drogas foram aprovadas no contexto de doença metastática que já haviam progredido com alguma quimioterapia. As taxas de resposta foram superiores em relação a quimioterapia.

O Guideline da NCCN já recomenda a pesquisa de instabilidade microssatélite para todos pacientes com diagnóstico de câncer de colorretal em qualquer estádio da doença, para se avaliar a possibilidade de uso da droga no caso de doença metastática. O exame pode ser feito a partir de imunohistoquímica da bióspia do tumor pelo médico patologista ou através de exames sanguíneos (PCR).

http://www.thelancet.com/journals/lanonc/article/PIIS1470-2045(17)30422-9/abstract

https://www.sbcp.org.br/revista/nbr222/P139_144.htm

Autores

Dra. Milena Macedo Couto. CRM 57978

Médica residente do serviço de oncologia do Hospital Felicio Rocho

Dr. Volney Soares Lima
CRM MG 33029 / RQE 15235
Médico Oncologista Clínico do Hospital Felicio Rocho e da clinica Oncocentro BH
Membro Titular Sociedade Brasileira Oncologia Clinica

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