Neoadjuvância: quimioterapia antes da cirurgia no câncer de mama

Neoadjuvância: quimioterapia antes da cirurgia no câncer de mama

Tratamento neoadjuvante é aquele que é administrado antes da cirurgia para retirada do tumor. A neoadjuvância é empregada em vários tipos de câncer e também no câncer de mama. Ela pode ser feita principalmente a partir de quimioterapia ou através de hormonioterapia. Vamos falar hoje de uma maneira generalizada sobre o tema.

A proposta dessa estratégia de tratamento é diminuir o tamanho do tumor, permitir cirurgias menos extensas, melhorar resultado cosmético da cirurgia e reduzir possíveis complicações da cirurgia, como linfedema. A indicação clássica são pacientes com tumores maiores que 5cm e/ou que apresentem linfonodos axilares comprometidos. Avalia-se também a proporção do tamanho do tumor e a mama da paciente, podendo-se individualizar cada caso. É necessário também uma avaliação criteriosa dos linfonodos axilares para definição da conduta cirúrgica posterior. Vale lembrar que a quimioterapia feita antes ou depois da cirurgia, não muda o tempo o tempo de sobrevida.

A escolha de qual esquema de tratamento é feita a partir das características expressadas pelo tumor visualizadas  na biópsia e na imunohistoquimica. O tumor pode expressar receptores hormonais, proteína HER-2, os dois ou nenhum deles. O tratamento será direcionado em cada caso.

No caso do tumor triplo negativo (receptores hormonais negativos e HER-2 negativo) o tratamento neoadjuvante baseia-se em esquemas combinados de quimioterapia por cerca de 6 a 8 ciclos.

Em doença com expressão de HER-2 além da quimioterapia, é indicado o uso de drogas alvo que são capazes de bloquear a via do HER-2 com grandes ganhos em taxas de resposta. Essas medicações são o trastuzumab e o pertuzumab.

Se for um tumor com expressão hormonal presente, a hormonioterapia é preferencialmente dada após quimioterapia neoadjuvante e após a cirurgia. É recomendando primeiramente a quimioterapia neoadjuvante pois a resposta é mais rápida. Pacientes mais idosas, com múltiplas comorbidades são candidatas a realizarem a neoadjuvância somente com hormonioterapia.

Pacientes que não estão mais respondendo a quimioterapia devem ser encaminhadas a cirurgia. Se ainda forem consideradas inoperáveis deve-se considerar a troca da quimioterapia para possibilitar a cirurgia. O manejo dos linfonodos axilares são individualizados em cada caso. As pacientes também são encaminhadas para radioterapia a após a cirurgia conforme cada caso.

Referência

 

www.uptodate.com

Autora

Dra. Milena Macedo Couto. CRM 57978

Médica residente do serviço de oncologia do Hospital Felicio Rocho

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