Novidades de Chicago – parte 2

Novidades de Chicago – parte 2

Esse é nosso segundo post sobre o congresso da sociedade americana de oncologia (ASCO) realizado esse ano em Chicago. Vale lembrar que nesse congresso são apresentados os trabalhos mais inovadores do mundo e que muitas dessas novidades irão demorar um pouco para chegar aos pacientes, principalmente aqui no Brasil. O volume de informações é enorme. Tentaremos contar o que poderá mais rapidamente mudar a forma como tratamos os câncer de mama e de próstata.

Câncer de mama: Foram apresentados os dados do estudo Paloma-2. Esse estudo avaliou o uso do palbociclib em mulheres com câncer de mama metastático. As mulheres tratadas com a combinação de palbociclib e letrozol (um tipo de tratamento hormonal) tiveram um resultado significativamente melhor do que aquelas que receberam apenas o letrozol. Foram incluídas nesse estudo apenas mulheres com tumores receptores hormonais positivos e her 2 negativo que não haviam ainda recebido tratamento na fase metastática da doença. O palbociclib ja foi aprovado para uso clínico nos Estados Unidos.saiba mais

Câncer de próstata: Estudo canadense demonstrou que a radioterapia hipofracionada não tem resultados piores do que a radioterapia convencional no tratamento do câncer de próstata localizado. Isso significa que o paciente pode realizar seu tratamento em menor tempo com igual eficácia e taxa semelhante de efeitos colaterais. O emprego da radioterapia hipofracionada já é uma realidade em várias partes do mundo, inclusive em alguns centros brasileiros. Para sua utilização é necessário alta tecnologia e profissionais capacitados.

Foram também apresentados novos dados em relação ao receptor AR-V7. O AR-V7 é um tipo de receptor de androgênio mutado que está relacionado à resistência aos novos tratamentos hormonais (abiraterona e enzalutamida). Demonstrou-se que pacientes que apresentam o AR-V7 detectado por um exame de sangue ( tecnologia de células tumorais circulantes) não apresentam resistência à quimioterapia e que o uso da quimioterapia nesses pacientes pode, em 58% dos casos, reverter a mutação. E por que isso é importante? Pois em um futuro não muito distante poderemos, com um teste genético, definir quais pacientes tem melhor chance de responder à determinados tratamentos.

Pesquisadores ingleses reportaram os dados do estudo PROMIS, que avaliou a ressonância nuclear magnética multiparamétrica ( exame disponível no Brasil) no diagnóstico inicial do câncer de próstata. Esse estudo demonstrou que a realização da ressonância permitiu evitar biópsias próstaticas desnecessárias.

 

Referência:

1)http://meetinglibrary.asco.org/abstractbysubcategory/2016%20ASCO%20Annual%20Meeting/412

Autor

Dr. Volney Soares Lima
CRM MG 33029 / RQE 15235
Médico Oncologista Clínico do Hospital Felicio Rocho, da clinica Oncocentro BH e do IPSEMG
Membro Titular Sociedade Brasileira Oncologia Clinica

Comments (2)

  1. Obrigada por repassar informações, dando ânimos para que tenhamos sempre a esperança, pois existe seres trabalhando para oferecer melhores garantias no tratamento.

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