Olaparib: nova droga contra o câncer de mama

Olaparib: nova droga contra o câncer de mama

Sempre que temos noticia de uma nova droga para o tratamento do câncer de mama é motivo de alegria. Devido a frequência da doença, novos tratamentos podem beneficiar um grande número de mulheres. Sabemos que cerca de 10% das pacientes com câncer de mama tem caráter hereditário. Estima-se que em 80% dos casos de câncer de mama hereditário as mulheres apresentam mutação no gene BRCA. O olaparib devido seu mecanismo de ação tem potencial de atuar com mais eficácia contra o câncer de mama associado à mutação do BRCA. Falaremos sobre os dados apresentados no inicio desse mês no congresso da sociedade americana de oncologia clínica.

As mulheres com mais chance de terem seu câncer associado a mutação do BRCA são aquelas diagnosticadas em idades mais precoce, normalmente abaixo de 40 anos. As mulheres com vários casos de câncer de mama na família também tem maior chance de que o seu câncer de mama esteja ligado a mutação. Para o diagnóstico se faz um teste genético de material obtido através de exame de sangue ou saliva. A disponibilidade do teste vem aumentando e seu preço vem caindo.

As pessoas com câncer de mama e mutação BRCA apresentam um defeito no mecanismo de reparo de DNA. O olaparib é uma medicação que pode beneficiar pacientes com mutação no BRCA. Ela já foi testada e aprovada em pacientes com câncer de ovário e mutação BRCA. já falamos sobre isso aqui.

O estudo OlympiAD, apresentado na ASCO/2017  incluiu 307 pacientes com câncer de mama HER 2 negativo. Todas a pacientes com mutação do gene BRCA. As mulheres já haviam sido tratadas com quimioterapia previamente à inclusão no estudo. O olaparib foi comparado com outros tipos de quimioterapia considerados padrâo ( capecitabina, vinorelbine e eribulina). O olaparib mostrou ter maior taxa de resposta ( 59,9% x 28,8%). As pacientes tratadas com o olaparib também apresentaram maior sobrevida livre de progressão.

O olaparib é uma medicação oral e seus principais efeitos colaterais são náuseas , vômitos, fadiga e anemia.

Vamos aguardar a aprovação dessa medicação em nosso país e torcer para que as pacientes tenham acesso a ela o mais breve possível.

 

Referência

https://www.asco.org

Autor

Dr. Volney Soares Lima
CRM MG 33029 / RQE 15235
Médico Oncologista Clínico do Hospital Felicio Rocho e da clinica Oncocentro BH
Membro Titular Sociedade Brasileira Oncologia Clinica

 

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