Pacientes com Linfoma tem opção de medicação subcutânea.

Pacientes com Linfoma tem opção de medicação subcutânea.

Linfomas são tumores malignos que tem origem no sistema linfático, uma rede complexa de vasos, linfonodos (gânglios) e outros órgãos, que é responsável pelo transporte de linfócitos (glóbulos brancos / células de defesa) pelo corpo. A doença se desenvolve nos linfonodos, encontrados em várias partes do corpo, e geralmente é diagnosticada pelo crescimento anormal desses gânglios. São basicamente divididos em dois tipos de acordo com as características das células: O Linfoma de Hodgkin e o Linfoma não Hodgkin.

O Linfoma não Hodgkin consiste em um grupo amplo de neoplasias. O tratamento, dependendo do estágio da doença, conta com associação de radioterapia, quimioterapia e terapia-alvo. Essa terapia-alvo é um Anticorpo chamado Rituximabe, que existe na formulação intravenosa no mercado desde 1997. Ele se liga especificamente ao antígeno CD20 expresso em 95% das células B dos Linfomas não Hodgkin, levando à morte da célula neoplásica.

Essa rotina de tratamento pode ser desgastante e demorada, em função do longo período de tempo necessário para infusão das medicações. Além disso, o Rituximabe venoso apresenta maior risco de reações, principalmente alérgicas, durante a aplicação. Nesse contexto, a formulação subcutânea foi desenvolvida como um método de administração mais rápido e fácil, em dose fixa, diminuindo o tempo de preparo e de espera do paciente, reduzindo o desperdício de medicação, com menos riscos de reações relacionadas à infusão e com eficácia não inferior à apresentação venosa segundo os estudos SparkThera e SABRINA.

Estudos avaliando a preferência dos pacientes já mostram melhor aceitação da aplicação subcutânea, e dados preliminares de avaliação econômica evidenciam custos menores com esse tipo de infusão.

A formulação subcutânea do Rituximabe (MabThera SC 1.400 mg) foi aprovada pela ANVISA em 14/12/2015 para as seguintes indicações:

̶ Linfoma não Hodgkin difuso de grandes células B (LDGCB), CD20 positivo, em combinação à quimioterapia;

̶ Linfoma não Hodgkin de células B, folicular, CD20 positivo, não tratados previamente, em combinação com quimioterapia;

̶ Linfoma folicular, como tratamento de manutenção após resposta à terapia de indução.

 

 

Referências:

  • Davies A, Merli F, Mihaljevic B, et al. Pharmacokinetics and safety of subcutaneous rituximab in follicular lymphoma (SABRINA): stage 1 analysis of a randomised phase 3 study. Lancet Oncol 2014;15:343–52.
  • Salar A, Avivi I, Bittner B, et al. Comparison of subcutaneous versus intravenous administration of rituximab as maintenance treatment for follicular lymphoma: results from a two-stage, phase Ib study. J Clin Oncol 2014;32:1782–91.
  • Rummel M, et al. “Preference for subcutaneous or intravenous administration of rituximab among patients with untreated CD20+ diffuse large B-cell lymphoma or follicular lymphoma: results from a prospective, randomized, open-label, crossover study (PrefMab).” Ann Oncol.2016 Dec 28.
  • Ponzetti, Clemente et al. “Potential Resource and Cost Saving Analysis of Subcutaneous versus Intravenous Administration for Rituximab in Non-Hodgkin’s Lymphoma and for Trastuzumab in Breast Cancer in 17 Italian Hospitals Based on a Systematic Survey.”ClinicoEconomics and Outcomes Research: CEOR 8 (2016): 227–233. PMC. Web. 10 Apr. 2017.

 

Autora:

Dra Thais de Melo Passarini

CRM MG 55528

Médica Oncologista Clínica da Hematológica BH

Membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica

 

 

 

 

 

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