Retorno ao trabalho após câncer ginecológico

Retorno ao trabalho após câncer ginecológico

Os cânceres do aparelho reprodutor feminino estão entre os mais comuns na mulher em idade reprodutiva. No Brasil, o câncer de colo uterino é o mais comum entre as mulheres na região nordeste. O cuidado com o sobrevivente ao câncer deve ser uma prioridade, especialmente quando falamos de sobreviventes jovens. O retorno ao trabalho e a retomada da vida pré câncer são primordiais para a qualidade de vida do paciente.

Estatísticas japonesas prévias estimavam que de 60 a 67% das pacientes tratadas de câncer voltavam ao trabalho após o tratamento. Porém nas pacientes investigadas uma minoria havia tratado de câncer do aparelho reprodutor feminino. Um grupo de pesquisadores japoneses decidiu investigar quais fatores mais afetavam o retorno ao trabalho pós tratamento de câncer ginecológico. Vale destacar que no Japão 70% das pacientes com câncer do aparelho reprodutor feminino têm entre 20 e 64 anos.

Foram recrutadas pacientes acompanhadas na universidade de Okayama que preenchiam os seguintes critérios:

– consultaram entre 28 de maio de 2015 e 28 de dezembro de 2015;

– idade menor que 65 anos;

– ter terminado o tratamento há mais de um ano;

– responder o questionário da pesquisa de maneira voluntária.

As pacientes respondiam qual era seu vínculo com emprego: autônomo, funcionária pública, carteira assinada ou empregado temporário. Além disso elas também informavam: idade, estado civil, filhos, local do câncer, estadio da doença; duração do tratamento; dias trabalhados por semana; horas trabalhadas por dia; número de colegas de trabalho; salário; renda familiar; desconforto físico ou psicológico; retorno ou mudança de trabalho. Todas estas informações foram consideradas na avaliação dos dados.

265 sobreviventes responderam ao questionário, destas 199 estavam trabalhando quando descobriram o câncer, sendo 82 trabalhadoras temporárias. A idade média ao diagnóstico era 47 anos e o término do tratamento tinha ocorrido em média há 4,5 anos. Mais da metade das pacientes havia sido tratada de câncer de colo de útero.

De todas as variáveis avaliadas, ser um trabalhador temporário foi o fator que influenciou mais negativamente o retorno ao trabalho.Mais de 70% das pacientes retornaram ao trabalho, enquanto que apenas 53% das traballhadoras temporárias retornaram ao mesmo posto de trabalho. Infelizmente não temos dados brasileiros sobre o retorno ao trabalho das nossas pacientes.

Bibliografia:

http://bmccancer.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12885-016-2627-0]

http://www.inca.gov.br/estimativa/2016/tabelaestados.asp?UF=BR

Autora:

Dra Maria Helena Cruz Rangel Da Silva
CRM mg 49563 RQE 28713
Médica Oncologista Clínica da clinica Oncocentro Bh

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