Sobreviventes do câncer infantil e o risco de câncer de mama

Sobreviventes do câncer infantil e o risco  de câncer de mama

Cerca de 80% das crianças diagnosticadas com câncer antes dos 21 anos são curadas. Atualmente existem cerca de 388.000 sobreviventes do câncer infantil nos Estados Unidos.Alguns desses sobreviventes apresentaram no futuro um novo câncer. O câncer de mama é o tumor mais comum entre as meninas que  ficaram curadas de um tumor na infância.

Um dos fatores sabidamente responsáveis pela alta incidência de câncer de mama nesse grupo de pacientes é a radioterapia na região torácica recebida por ocasião do tratamento do câncer infantil.Em dezembro de 2015 pesquisadores da universidade de Chicago publicaram os dados do maior estudo até então realizado avaliando o risco de câncer de mama em pessoas sobreviventes do câncer infantil que não haviam recebido radioterapia na região torácica.

Foram 3768 mulheres sobreviventes acompanhadas por um longo período. A maior parte delas haviam apresentado na infância o diagnóstico de leucemia ou de sarcoma. Desse grupo de mulheres 47 tiveram o diagnóstico de câncer de mama durante o período de acompanhamento.A idade média quando do diagnóstico de câncer de mama foi de 38 anos.

As principais conclusões desse importante estudo são que:

–  O risco de se desenvolver câncer de mama em sobreviventes do câncer infantil é 4 vezes maior que a população em geral.

– Os tumores associados com maior risco são a leucemia e os sarcomas.

– Crianças que tiveram o primeiro câncer entre 10 e 20 anos tem maior risco de câncer de mama do que aquelas crianças diagnosticadas em idades inferiores.

– O uso de quimioterapia contendo antracíclicos e agentes alquilantes (duas classes de drogas quimioterápicas muito utilizadas na oncologia) aumenta o risco de câncer de mama e esse aumento se relaciona com a dose do medicamento utilizada durante o tratamento do câncer infantil.

Bom e quais as implicações práticas de esse estudo? Pacientes que tiveram o diagnóstico de leucemia ou de sarcoma na infância, particularmente se foram tratadas com antracíclicos  e/ou alquilantes, possivelmente se beneficiarão de um rastreamento precoce para o câncer de mama, mesmo que não tenham recebido radioterapia na região torácica.

Referência:

http://jco.ascopubs.org/content/early/2015/12/22/JCO.2015.62.3314

 

Autor

Dr. Volney Soares Lima
CRM MG 33029 / RQE 15235

Médico Oncologista Clínico do Hospital Felicio Rocho, da clinica Oncocentro BH, da Urológica e do IPSEMG

Membro Titular Sociedade Brasileira Oncologia Clinica

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