Sobreviventes de tumores ginecológicos: efeitos tardios da radioterapia

Sobreviventes de tumores ginecológicos: efeitos tardios da radioterapia

Os cânceres do aparelho reprodutor feminino são tumores muito comuns. No nosso país o câncer de colo uterino, por exemplo, ocupa o terceiro lugar no ranking dos cânceres em mulheres. A radioterapia é parte fundamental no tratamento de vários tumores do aparelho reprodutor feminino, destacando se os tumores de útero (endométrio) e o de colo uterino. Hoje vamos falar sobre os sintomas tardios da radioterapia em pacientes que venceram os tumores ginecológicos..

Aproximadamente 10% das mulheres que receberam radioterapia no quadril durante o tratamento terão efeitos colaterais tardios da radioterapia. Estes efeitos podem acontecer de meses a anos após o término do tratamento e podem iniciar de maneira leve e de difícil reconhecimento. Na maior parte das vezes os sintomas tardios pós radioterapia são do aparelho digestivo, onde metade das pacientes têm algum sintoma, ou do aparelho urinário.

Os sintomas digestivos mais comuns são:

– Sangramento retal;

– Diarréia;

– Flatulência (ou seja, aumento de gases);

– Urgência evacuatoria (ou seja, quando vem a vontade de evacuar tem que ser imediato);

– Incontinência fecal (ou seja, não consegue segurar as fezes quando tem vontade de evacuar);

– Aumento de frequência evacuatória;

– Dor abdominal ou no quadril;

– Síndrome de mal absorção (acontece quando o intestino não consegue digerir bem os alimentos e com isso não consegue absorver bem os nutrientes ingeridos).

O tempo médio de aparecimento de sintomas é de 8 meses para pacientes tratadas de câncer de colo uterino e 10 meses para pacientes tratadas de câncer de endométrio. Para a avaliação precisa é necessária uma colonoscopia ou exame semelhante. O tratamento deve ser personalizado, de acordo com os sintomas.

Ao contrário dos sintomas digestivos, os sintomas urinários têm um risco de acontecer que aumenta com o tempo. Os sintomas mais comuns são estreitamento do canal urinário e irritação da bexiga e o tratamento deve ser feito por um médico especialista.

A meta de melhorar a qualidade de vida do sobrevivente do câncer deve ser uma prioridade, por isso a abordagem dos sintomas pós radioterapia deve ser tão agressiva quanto necessário.

Bibliografia:

http://meetinglibrary.asco.org/content/158676-176

Autora:

Dra Maria Helena Cruz Rangel Da Silva
CRM mg 49563 RQE 28713
Médica Oncologista Clínica

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