Tumores ginecológicos: principais novidades

Tumores ginecológicos: principais novidades

Hoje falaremos um pouco sobre as principais novidades apresentadas no congresso da sociedade americana de oncologia clínica (ASCO) sobre tumores ginecológicos. Em Chicago, no inicio de junho/2017, foram apresentados estudos interessantes referentes a tumores de ovário, endométrio e colo uterino. Alguns desses estudos tem impacto direto na condução dos casos clínicos. Outros trazem esperança de melhores tratamentos em um futuro breve.

Câncer de ovário: tipo de cirurgia

A cirurgia tem importante papel curativo no câncer de ovário. Até o presente momento não se tinha idéia clara se a remoção de linfonodos (gânglios linfáticos) clinicamente normais tinha impacto na evolução dos pacientes. Essa remoção de linfonodos (linfadenectomia) é realizada de maneira não uniforme nos vários centros cirúrgicos do mundo.

Estudo europeu apresentado na ASCO/2017 avaliou de forma adequada o papel da linfadenectomia no câncer de ovário. Foram 647 pacientes com neoplasia de ovário estádio IIB/IV avaliados de forma prospectiva.

A conclusão do estudo foi que realizar a linfadenectomia em pacientes submetidos a cirurgia com ressecção completa do tumor e linfonodos clinicamente negativos não impacta as chances de cura. Isso é importante pois a remoção de linfonodos normais aumenta o tempo de cirurgia e também o número de complicações pós operatórias.

Tipo de quimioterapia adjuvante câncer de endométrio

Após a realização da cirurgia a quimioterapia é indicada para algumas pacientes com câncer de endométrio. É a chamada quimioterapia adjuvante e ela tem o objetivo de reduzir as chances de recidiva da doença. Normalmente é indicada para as pacientes com maior risco de recorrência.

Um estudo japonês comparou três regimes de quimioterapia no tratamento adjuvante do câncer de endométrio. A eficácia dos três esquemas foi semelhante. Não houve também diferenças significativas em relação à toxicidade. Assim tanto a combinação de platina com adriamicina ou a de platina mais taxanes podem ser utilizadas. A escolha cabe ao oncologista e deve ser individualizada para cada paciente.

Uso da imunoterapia em tumores colo útero, vagina e vulva

Os tumores do colo uterino, vagina e vulva são altamente relacionados com a infecção pelo vírus HPV. Já conversamos muito aqui sobre a importância da vacinação! O fato é que existem poucas opções de tratamento disponíveis para essas doenças após a falha da primeira linha. Por outro lado acredita-se que a infecção viral pode aumentar a reação imune.

O estudo CheckMate 358 é um estudo de fase I/II que avaliou o uso de um imunoterápico, o Nivolumab, em tumores ginecológicos associados a infecção viral. Os dados são animadores porém iniciais e precisam ser confirmados em estudos maiores.

Referência

https://www.asco.org

Autor

Dr. Volney Soares Lima
CRM MG 33029 / RQE 15235
Médico Oncologista Clínico do Hospital Felicio Rocho e da clinica Oncocentro BH
Membro Titular Sociedade Brasileira Oncologia Clinica

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *